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| Empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos enviou áudios em que confessa o crime Reprodução/Redes sociais |
São Luís (MA) — O governador Carlos Brandão determinou o afastamento de quatro policiais militares que atenderam a ocorrência de agressão contra uma jovem de 19 anos, grávida de cinco meses, que trabalhava como empregada doméstica em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. A medida foi tomada após a divulgação de áudios em que a suspeita, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, admite ter recebido tratamento diferenciado de um dos agentes por conhecê-lo.
O caso, ocorrido em 17 de abril de 2026, ganhou dimensão nacional após a TV Mirante (afiliada da Globo) divulgar gravações atribuídas à investigada, nas quais ela descreve com detalhes a sequência de agressões contra a vítima.
O que revelam os áudios
De acordo com o material anexado ao inquérito e confirmado pela Polícia Civil, Carolina Sthela relata ter agredido a jovem por mais de uma hora, junto com um homem armado, após acusá-la de roubar um anel (que foi encontrado em uma cesta de roupa suja). Mesmo após a descoberta do objeto, as agressões continuaram.
Trechos dos áudios divulgados:
“Eu disse que era para ter ficado era mais. Não era nem para ter saído viva.”
“Uma hora essa menina no massacre. E tapa, e murra, e pisava nos dedos, e tudo que vocês imaginarem de doidice.”
“Parou uma viatura aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? Aí ele disse que, se não fosse ele, teria que me levar para a delegacia, porque ela estava cheia de hematomas.”
A vítima registrou boletim de ocorrência na Casa da Mulher Brasileira no dia seguinte, realizou exame de corpo de delito (que comprovou hematomas e lesões) e relatou ter protegido a barriga durante as agressões. O caso tramita na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy.
Afastamento dos PMs e posicionamento do Governo
Após a repercussão dos áudios, o governador Carlos Brandão determinou o afastamento imediato dos quatro policiais militares que atenderam a ocorrência. A Polícia Civil do Maranhão confirmou a medida, que permanece enquanto durar a apuração interna.
Em publicação nas redes sociais, o governador afirmou:
“Acompanho o caso que está sob investigação da empregada doméstica grávida agredida covardemente por sua contratante e um homem, em Paço do Lumiar. Vamos garantir toda a assistência necessária e apurar, com rigor, os fatos. […] Esse é um caso grave, que não pode ficar impune.”
A equipe do Governo do Maranhão já entrou em contato com a vítima para oferecer apoio integral.
Investigação em andamento
A Polícia Civil investiga a empresária por tortura, lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal, com agravante pela condição de gestante da vítima. A Comissão de Direitos Humanos da OAB Maranhão protocolou pedido de prisão preventiva contra Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, que possui histórico de processos judiciais, incluindo condenação anterior por calúnia.
A investigada nega as acusações e afirma que os fatos foram distorcidos, mas os áudios foram autenticados pela Polícia Civil e anexados ao inquérito.
Repercussão
O caso gerou forte comoção nacional e reacendeu o debate sobre violência contra mulheres, especialmente trabalhadoras domésticas, e sobre a conduta de agentes de segurança pública. Organizações e internautas cobram punição exemplar e investigação rigorosa sobre possível favorecimento policial.
A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento e que todos os envolvidos, incluindo os policiais afastados, serão ouvidos.
A matéria será atualizada conforme novos desdobramentos da investigação.
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Maranhão
